Festa
Junina:
pipoca, quadrilha, quentão... e
maculelê?
Antes da especificidade de
minha disciplina, sou um educador.
E o
educador
é responsável pela formação
total/global dos discentes.
Por ser assim, busco não ater-me
apenas aos movimentos
físicos e
corporais, como minha prática vem demonstrando,
e essa concepção
também estendo a todas as ações de
meu trabalho, incluindo aí, a
participação nas atividades desenvolvidas para a
festa junina da escola.
Muitos estranharam que em meio a danças
cowntry, músicas sertanejas e coreografias regionais
no último Arraiá
da Dinah(e absolutamente nada tenho contra
essas representações), um grupo de
alunos invadisse o palco (a
quadra escolar) dançando maculelê. (publicação
no blog)
Embora no Brasil, historicamente, pra maioria das
coisas, se leva tudo "com
a barriga",
creio que o melhor
momento sempre é o momento de agora,
então... conversemos sobre a inserção dessa
apresentação entre as tradicionais (ou importadas), que usualmente fazem
parte das festas juninas.
Essas concepções
do que deve ser apresentado nos arraiás da vida
não satisfazem a todos... satisfazem apenas a uma minoria sempre favorecida... e
não tenho, e por obrigação
moral não posso, compactuar com a
idéia de uma educação
segregadora... Somos,
TODOS, muito mais
que isso...
E esse muito mais é que a cada dia
procuro buscar, em minha postura
como
educador e no tipo de conhecimentos
e informações que troco com meus
alunos. Sem, de forma
alguma, estabelecer a minha concepção de
educação, como palavra final...
Voltemos então, à
questão do Maculelê,
e estou convocando todos
para a reflexão...
Muito se fala atualmente de africanidades
e de propostas
afirmativas em relação aos negros.
Mas na prática,
vemos muito pouco. Projetos
elaborados
para obter resultados
instantâneos e meramente expositórios,
ou uma e outra atividade
apoiada de maneira efêmera
na cultura
africana.
Esquece-se que para se "afirmar"
algo ou "valorizar"
questões, é necessário vivenciar esses momentos. Mais que uma apresentação
supérflua desenvolvida
especificamente para
um evento escolar,
o maculelê
apresentado pelos alunos foi parte de um processo educativo muito
intenso. Os
estudantes pesquisaram movimentos, discutiram
ações e valores,
interagiram com colegas de outras turmas, períodos e idades
e também
utilizaram recursos teóricos e práticos
encontrados por eles mesmos,
até na construção dos objetos usados
na performance.
Esse exercício também enriqueceu outro projeto,
da aula de Artes,
contribuindo para o aperfeiçoamento
de atividades lúdicas pedagógicas que
paralelamente eram desenvolvidas pelo professor.
A festa junina da Escola
Dinah, não se prendeu apenas à pipoca,
à quadrilha e ao quentão.
Esse arraial resgatou
valores e heranças que muitos sequer se dão ao
trabalho de querer saber.
E as vivências
promovidas pelos grupos
que fizeram parte desse trabalho, estenderam
ainda mais a concepção
de educação e educação
física, que pais,
alunos e professores poderiam ter.
A Vida, a
todo instante, necessita disso...
Dessa
reflexão
constante sobre o mundo ao nosso redor, as opiniões
e as formas de ver...
Senão, corremos
o risco de aceitar tudoe com certeza, isso sempre interessa a
alguém.
Porque
nada é por acaso.
Prof.
Fábio Mizuno leciona
Educação
Física na Escola Dinah
Clique sobre a foto para visitar o blog da Escola
Dinah.